19.5.17

Marvão, de onde se espia a Espanha

A rivalidade alimentada ao longo dos séculos entre os portugueses e os espanhóis, é até hoje motivo de piadas ou ainda de comparações entre os dois povos. Isso é o que eu já constatei através dos portugueses e espanhóis que conheci por aqui. Entretanto, lá na vila de Marvão, pelo menos durante o dia que passamos lá, não percebemos essa rivalidade.
De Marvão espia-se a Espanha, pois o vilarejo está situado bem na sua fronteira e estando lá, vira e mexe, cruzamos com espanhóis da fronteira que foram até o vizinho para tomar um café ou beber uma cerveja.
  

Marvão está situada na região do Alentejo, a poucos quilômetros de Valência de Alcantara, município da Extremadura Espanhola. Nós fomos parar lá por indicação de um amigo suíço do meu marido que está morando em Portugal e que, na ocasião, aproveitamos para visitar. Nesta nossa última ida à Portugal, conhecemos vários sítios (como dizem os portugueses) lindos, mas Marvão entrou no roteiro de última hora, já que não tinhamos planejado previamente esse passeio.
Com sorte é possível avistar o vôo das águias em Marvão. Ficamos sabendo que há muitas delas por lá, porém não conseguimos avistar nenhuma.
Com apenas 600 habitantes, Marvão respira silêncio, paz de espírito e tranquilidade, além da paisagem lindíssima, da hospitalidade (dormimos uma noite lá) e da culinária saborosa, a vila de Marvão provou que o tempo pode passar lá um pouco mais devagar do que estamos acostumados. Erguida no topo de uma colina, as casinhas brancas e as ruas envoltas por paralelepípedos que pedem sapatos baixos e com sola segura, tornam essa vila um lugar realmente pitoresco.


Entretanto esta esplêndida localização teve outro significado na história de Portugal. Os rochedos, quase inacessíveis, fizeram com que essa fortaleza fosse o lugar mais seguro de todo o reino e que ao longo da história serviu como fortificação desde a conquista de Portugal em 1116 por D.Afonso II nas guerras de Restauração entre Portugal e Espanha.
Marvão foi sem dúvida um dos "sítios" mais pitorescos que visitamos durante nossa viagem à Portugal. Um lugar que parece realmente que ficou parado no tempo e que guarda uma certa aura de curiosidade e encantamento.
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17.5.17

Feijoada adaptada para a Suíça

Desde que eu moro aqui, eu procurei por mim mesma utilizar o máximo de ingredientes encontrados nos supermercados locais, (salvo quando é um ingrediente muiiito especial ou insubistituível, como a farofa por exemplo) do que ter que me deslocar muito para encontrar o ingrediente x ou y para fazer determinado prato.

Foi assim com a feijoada. Claro que aquela linguiça calabreza cai sempre melhor do que uma linguiça comum. No entanto, com a qualidade e a diversidade de carnes e linguiças de porco que encontramos aqui, fica fácil fazer uma feijoada na Suíça sem se preocupar em encontrar os ingredientes da feijoada "original" brasileira.

Logo que eu voltei do Brasil, eu ainda estava com a minha boca salivando sentindo aqueles saborzinhos das comidas de lá (pastel, coxinha, pão de queijo, comida japonesa (em Sampa temos ótimos restaurantes japoneses), açaí e por ai vai... vou parar porque já estou salivando, que decidi fazer uma feijoada em casa e convidar uns amigos. Era o auge do inverno, então nada melhor do que uma feijuca para dar aquela aquecida.

A receita é muito simples (mas e necessário seguir bem alguns passos, como ir retirando aquela gordurinha que vai subindo com o cozimento das carnes). O que naturalmente muda, são os ingredientes que temos que substituir, entretanto esses ingredientes eu encontro todos no supermercado Migros. No entanto se você não abre mão de fazer a feijoada com produtos brasileiros e tiver a facilidade de ter lojas brasileiras por perto, então se joga lá!
 As carnes e linguiças já cortadas


as carnes e linguiças antes e durante o cozimento
 Feijãozinho preto da hora e a carne seca

A feijoada que eu faço, eu uso como base a receita do restaurante do Bolinha, cuja feijuca é a mais famosa (e provavelmente também a mais cara) de Sampa. Na verdade as dicas que o Bolinha dá, são aquelas que fazem realmente muita diferença, como por exemplo não jogar a água do feijão que você deixou de molho. O vídeo é um pouco longo, e até eu que não tenho paciência com vídeos, achei muito bom assistir, pois as dicas valeram mesmo. Eu não usei rabo, pé ou orelha de porco (nem sei se vende aqui), mas mesmo assim a feijoada, sem modéstia, ficou muiiito boa.

A feijoada é um prato que agrada bastante aos suíços e aos alemães (salvo os vegetarianos), visto que eles estão muito habituados a comer muita linguiça e carne de porco, então é um sucesso!!

Feijoada para seis pessoas (adaptada para os produtos que temos na Suíça)

500 g de Schwarzen Bonnen (feijão preto). Tem no Migros ou no COOP.
3 Kabanossi (essa é uma linguiça encontrada muito facilmente na Alemanha e que substitui o Paio e a Linguiça Calabresa). Eu encontrei no supermercado Denner.
Eu também usei o "Saucisson du Vully", uma linguiça que temos aqui e que eu achei que ficou muito boa na feijoada.
400 g de Geräucherter Kassler Rippen (substituição para a costelinha de porco). Na Suíça alemã peça por "Rippli".
300 g de carne seca bovina (trockenes Fleich). No Migros você pode comprar carne seca direto no açougue do supermercado, peça pela carne em pedaço e não fatiada. Caso você não encontre, substitua por Geräuchertes (defumada) Schinken.
100 g de Speck (o nosso Bacon)
Eu ainda usei umas 200 grs de lombo de porco (geräucherte schweinelende) que ficou mara!
200 g. de cebola picada (para o tempero do feijão)
100 g. de alho picado (para o tempero do feijão)
6 fls. de louro (para o tempero do feijão)
2 unidades de laranjas com casca (bem lavadas)

A couve aqui pode ser substituída pela Krautstiele (tem no Migros), ou melhor ainda, você pode pegar de graça as folhas de "Kohlrabi" e usar como Couve. Essas folhas já ficam em um cesto no próprio supermercado, junto aos Kohlrabi e as pessoas podem pegar de graça, normalmente quem tem coelhos em casa, leva para alimentá-los. Eu já fiz a couve refogada usando as duas (Krautstiele e as folhas de Kohlrabi) e ambas ficam idênticas à nossa couve.

Na Suíça, como os suíços: então, na hora de servir, capriche na apresentação! Os suíços comem com os olhos, então a visualização dos pratos e da mesa é um detalhe muito importante por aqui.

Feijoada em um dia frio, porém ensolarado de inverno
En guete! Bom apetite
Se fizerem essa feijoada seguindo as dicas dessa receita, por favor, deixe um comentário aqui. Adoro saber quando alguma dica ajudou alguém ou quando alguém fez alguma (das não muitas) receitas deste bloguinho.
Ah, pode me convidar para comer também! hehe. 

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8.5.17

Altenrhein e o colorido de Hundertwasser

Já que a primavera anda bem cinza aqui na Suíça, nada melhor do que colorir um pouco esses dias, seja visitando algum café estiloso, um espaço de criação, lendo um livro ou simplesmente buscando qualquer outro tipo de entretenimento e/ou inspiração para estes dias nublados.
Espaço Hundertwasser em Altenrhein
E nada melhor do que ver cores pra gente amenizar um pouco o cinza que atualmente anda rondando estes dias primaveris. E, em matéria de cores, Hundertwasser sabia o que estava fazendo. Além de amante das artes, das cores e dos dias de chuva, ele foi um multi talento: arquiteto, ambientalista, artista e ativista, ele trabalhava de modo que nenhuma destas atividades ficassem desconectadas umas das outras. Para Hundertwasser urbanização e natureza deviam caminhar juntas.
Embora suas obras estejam espalhadas por todo o mundo, é na Austria, especificamente em Viena, que se concentra a maioria das suas criações. Hundertwasser era austríaco, mas foi naturalizado neozelandes, país onde ele viveu os últimos anos de sua vida.
Bom, aqui na Suíça Hundertwasser também deixou a sua marca. Em Altenrhein, que é uma localidade pertencente ao cantão de St. Gallen, está localizado o espaço chamado "Markthalle Altenrhein Hundertwasser Architekturprojekt", onde é possível ver um pouco das suas criações.
  



O espaço é bem agradável e naturalmente, muito colorido! A arquitetura e os traços nada convencionais, lembra muito o trabalho do também arquiteto Gaudi.
A casa Hundertwasser em Altenrhein não é muito grande, mas durante a visita é possível ver algumas obras do artista, como quadros e pequenas esculturas, bem como assistir um curto filme sobre a sua vida.
Lá há também uma loja com objetos multicoloridos, do jeito que Hundertwasser gostava. A visitação é livre (não precisa de guia) e a entrada custa 5 francos.
O Markthalle Altenrhein está bem fora do circuito turístico da Suíça, mas para quem está na região de St.Gallen e Bodensee, a visita não deixa de ser interessante.

Com Hundertwasser aprendemos que o colorido está dentro de cada um de nós. Estando frio, ventando, nublado ou chovendo, dá sempre pra jogar tinta na vida.

Então vamos colorir!!!!!
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